Prévia do Underblood Fest (Vasco da Gama, Recife, 16/11/13)

Confiram um pouco do que foi o evento que invadiu o bairro de Vasco da Gama em Recife e detonou com tudo!

Autor: João Dias [18/11/2013]

Ser a prévia de um evento do porte do Underblood Fest 8 é só por isso uma responsabilidade sem tamanho. E num lugar pouco acostumado a receber eventos underground isso faz com que a responsa aumente muito mais. Pois a turma da NV UnderGround teve a cara e a coragem de realizar um evento totalmente gratuito com o intuito de não só ser uma forma de promover o evento que ocorrerá dia 07 de dezembro de 2013, como também de trazer o som alternativo em lugares novos.

Assim, a quadra do Vasco da Gama, por trás do Teatro Lobatinho, recebeu a incubência de ser o palco de toda a barulheira sonora que viria a seguir. Com previsão de início às 16 horas, o evento acabou atrasando um pouco mais que uma hora, o que prejudicou um pouco a apresentação das bandas, em especial as duas últimas, que tocaram para um público mais reduzido, mas não estragou a festa em si, e quem ficou até o final sabe o que estou dizendo.

A abertura coube aos irreverentes, porém sempre competentes membros da F.M.I., e a turma não deu mole na hora de soltar um hardcore punk certeiro e ensurdecedor. Teve uns problemas técnicos durante a apresentação (que incluiram o estouro da pele do caixa - logo substituida - e a rouquidão do vocalista Eudes - mas é hardcore, tem que ser doido assim mesmo xD), mas a pauleira não deu descanso, inclusive com a completamente fora dos padrões "É Inevitável", com uma sonoridade mais próxima de um crossover/metalcore, que levou a momentos até de wall of death, embalados pelo demolidor baterista Kêra. Por pouco (e por muito pouco mesmo) essa banda não me fez passar o resto da noite sentado só curtindo o som das outras bandas, porque foi animal demais mesmo!

A seguir veio a também recifense LIBELLULLA, trazendo consigo o estilo mais copiado da atualidade: metalcore. Ok, mas no caso da LIBELLULLA isso EM NADA tornou a apresentação da banda ruim, MUITO PELO CONTRÁRIO! Afinal, tem uma diferença entre fazer "porque todo mundo faz" e fazer bem feito, e no caso deles eles se enquadram na segunda categoria, com um som consistente e ao mesmo tempo com variações geniais, inclusive nos vocais brutos e sinistros (fugindo do melodismo chato de muitas bandas que querem seguir o padrão AILD de metalcore). Posso dizer que pra mim eles foram uma grata surpresa, ao lado da próxima banda, MORDAZSE. A trio de Paulista foi classificado como thrash metal, o que já era muito bom para mim, amante confesso do gênero, mas não imaginava que ouviria influências de Pantera e Sepultura fase Chaos A.D. no som da turma. Sim, o som deles estava muito mais para groove metal, o que é bem legal, já que o estilo a muito não produz muitas bandas atualmente, e eles realmente brutalizaram tudo, espero sinceramente ver esses caras por ai de novo logo logo.

A seguir veio a já clássica IMPLEMENT, banda que não há muito mais o que falar deles. O trio formado por Ivan (baixo/vocal), Márcio (guitarra) e Ângelo (bateria) permanece o mesmo, brutal, conciso e certeiro no seu death metal cabuloso e devastador, fazendo a galera pogar até não haver outro dia. Ivan, sempre trazendo uma mensagem positiva e direta da sua crença no Evangelho, não deixou barato e mandou novamente uma ideia para ficar na mente da turma, além de mostrar que realmente "música brasileira não tem só bunda!"

Quase 9 da noite, boa parte da galera foi embora, mas só digo: quem foi perdeu dois sets curtos, porém não menos legais, dos meus conterrâneos olindenses da MOLDER e da turma de Jaboatão da HM12. Hardcore até o tutano, Molder trouxe uma influência bem na linha do Dead Fish, enquanto que a HM12 trouxe um som atípico para o que eles costumavam fazer: com os vocais bem mais insanos e rasgados, imprimiu um som ainda mais pesado pra turma do "hardcór".

E que venham mais eventos assim! A cena pernambucana do underground permanece firme e forte, sem fronteiras de crenças, ritmos, ideologias ou mesmo palcos. Num bairro que como muitos outros da periferia da zona metropolitana do Recife foi tomado pelo câncer do brega e funk carioca cheio de pornografia e apelação musical (musical?), é bom poder dizer que a música de qualidade não morreu, nem nunca morrerá!